segunda-feira, 19 de agosto de 2013
sábado, 17 de agosto de 2013
domingo, 4 de agosto de 2013
"A arte moderna começa a perder seus poderes de negação.
Há anos suas negações são repetições rituais: a rebeldia foi convertida em receituário, a crítica em retórica, a transgressão em cerimônia.
A negação deixou de ser criadora. Não quero dizer que vivemos o fim da arte: vivemos o fim da ideia de arte moderna."
( Octavio Paz, Os Filhos do Barro, 1984)
Há anos suas negações são repetições rituais: a rebeldia foi convertida em receituário, a crítica em retórica, a transgressão em cerimônia.
A negação deixou de ser criadora. Não quero dizer que vivemos o fim da arte: vivemos o fim da ideia de arte moderna."
( Octavio Paz, Os Filhos do Barro, 1984)
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
"Charada"
Stanley Donen mistura estados de espírito aqui:
O drama que ao mesmo tempo é humor, o humor que é sombra de suspense...A cada tomada.
Como fazê-lo, conduzi-lo tão bem até o final da obra ?
O filme trabalha constantes deslocamentos de sentido, "deslizamentos do significante".
O fato do persongem de Grant comparecer com uma identidade pouco definida ajuda e muito.
Sua atuação é escorregadia, como corpo em cena.
Donen, como mestre dos musicais, explora muito bem a dimensão coreográfica do cinema- embora, de forma discreta-, favorecendo a atmosfera algo insólita da obra.
Uma obra que, a todo tempo, sabe rir de si mesma, num lindo execício de saber se perder.
O filme trabalha constantes deslocamentos de sentido, "deslizamentos do significante".
O fato do persongem de Grant comparecer com uma identidade pouco definida ajuda e muito.
Sua atuação é escorregadia, como corpo em cena.
Donen, como mestre dos musicais, explora muito bem a dimensão coreográfica do cinema- embora, de forma discreta-, favorecendo a atmosfera algo insólita da obra.
Uma obra que, a todo tempo, sabe rir de si mesma, num lindo execício de saber se perder.
Mas não se trata aqui de zombar de seu material.
"Charada" é momento do cinema de se abrir a várias possibilidades do espaço, de se permitir entrar em labirintos abstratos e figurativos, mas sempre com um imenso prazer, com uma enorme crença em seu material.
Cada close em Hepburn é uma nova expressão de surpresa extraída de um rosto.
Donen brinca com a luz, no sentido lúdico da palavra. Brinca com o suspense....
O que interessa a ele parece ser o puro prazer do cinema, o sensorialismo- embora, um tanto discreto-, o de se perder nas luzes e sombras.
No fim das contas, é um filme da magia presente em cada cor e deslocamento...O cinema como espetáculo que sabe rir de algumas coisas, mas que nunca abrirá mão de ser fascinante.
Ainda que, para tanto, necessite deslocar as situações/ clichês, abaixar o tom, para reconfigurá-las.
Cinema irônico sim, mas que comparece aqui menos como paródia do que como música e dança em direção.
"Charada" é momento do cinema de se abrir a várias possibilidades do espaço, de se permitir entrar em labirintos abstratos e figurativos, mas sempre com um imenso prazer, com uma enorme crença em seu material.
Cada close em Hepburn é uma nova expressão de surpresa extraída de um rosto.
Donen brinca com a luz, no sentido lúdico da palavra. Brinca com o suspense....
O que interessa a ele parece ser o puro prazer do cinema, o sensorialismo- embora, um tanto discreto-, o de se perder nas luzes e sombras.
No fim das contas, é um filme da magia presente em cada cor e deslocamento...O cinema como espetáculo que sabe rir de algumas coisas, mas que nunca abrirá mão de ser fascinante.
Ainda que, para tanto, necessite deslocar as situações/ clichês, abaixar o tom, para reconfigurá-las.
Cinema irônico sim, mas que comparece aqui menos como paródia do que como música e dança em direção.
" O único esforço possível é afastar essa sombra da intenção, da interpretação. E ver o que está no filme.
Veja: até os anos 50, o Alfred Hitchcock, o Howard Hawks não valiam nada. Eram considerados apenas bons diretores de filmes comerciais.
Aí vieram os jovens turcos dos Cahiers du Cinéma e revisaram tudo. Não foi fácil. Lendo os artigos de Truffaut, Rohmer, Godard, Rivette, Douchet, você percebe que eles tiveram até de se opor com certa violência ao André Bazin..., para
impor esses cineastas.
E qual a particularidade dessa operação? É que esses cineastas eram extremamente populares.
Então, os Cahiers são um momento em que o pensamento crítico e o gosto popular se encontram.
Vendo retrospectivamente, nós podemos observar que, sobretudo para o cinema americano, o público tinha um olhar muito mais sofisticado, muito mais aparelhado do que os críticos da época.
Por que isso? Porque os críticos interpretavam. Eles não olhavam.
Essa é a grande lição dos Cahiers....Fizeram para crítica mais ou menos o que Griffith fez para o cinema.
O que aconteceu de lá pra cá, porém, é curioso. O cinema se "elitizou".
Isto é, um público com formação literária é que começou a ditar o gosto e daí, talvez, é que tenha nascido o "filme de arte", no mau sentido da palavra, esses filmes cheios de pretensão, cheios de coisa, mas que, você vai ver, não servem nem para lamber as botas de um Murnau, de um Fritz Lang."
( Inácio Araújo)
E qual a particularidade dessa operação? É que esses cineastas eram extremamente populares.
Então, os Cahiers são um momento em que o pensamento crítico e o gosto popular se encontram.
Vendo retrospectivamente, nós podemos observar que, sobretudo para o cinema americano, o público tinha um olhar muito mais sofisticado, muito mais aparelhado do que os críticos da época.
Por que isso? Porque os críticos interpretavam. Eles não olhavam.
Essa é a grande lição dos Cahiers....Fizeram para crítica mais ou menos o que Griffith fez para o cinema.
O que aconteceu de lá pra cá, porém, é curioso. O cinema se "elitizou".
Isto é, um público com formação literária é que começou a ditar o gosto e daí, talvez, é que tenha nascido o "filme de arte", no mau sentido da palavra, esses filmes cheios de pretensão, cheios de coisa, mas que, você vai ver, não servem nem para lamber as botas de um Murnau, de um Fritz Lang."
( Inácio Araújo)
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