segunda-feira, 4 de maio de 2020

"Para Hitchcock, o mistério feminino era tão importante quanto o suspense de determinadas situações. Nesse jogo de esconder e revelar a essência de suas mulheres, num movimento contraditório de fascinação distante e obsessão em decodificar o mistério, suas mulheres adquiriram status próprio em relação a sua obra."
(Thiago Stivalette)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

segunda-feira, 19 de agosto de 2013


Pés da melhor dançarina-bailarina do cinema: Cyd Charisse

sábado, 17 de agosto de 2013

domingo, 4 de agosto de 2013

"A arte moderna começa a perder seus poderes de negação. 
Há anos suas negações são repetições rituais: a rebeldia foi convertida em receituário, a crítica em retórica, a transgressão em cerimônia. 
A negação deixou de ser criadora. Não quero dizer que vivemos o fim da arte: vivemos o fim da ideia de arte moderna."


 ( Octavio Paz, Os Filhos do Barro, 1984)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Donen/Audrey


Charada


 
"Charada"

Stanley Donen mistura estados de espírito aqui:


O drama que ao mesmo tempo é humor, o humor que é sombra de suspense...A cada tomada.

Como fazê-lo, conduzi-lo tão bem até o final da obra ?

O filme trabalha constantes deslocamentos de sentido, "deslizamentos do significante".

O fato do persongem de Grant comparecer com uma identidade pouco definida ajuda e muito.
Sua atuação é escorregadia, como corpo em cena.


Donen, como mestre dos musicais, explora muito bem a dimensão coreográfica do cinema- embora, de forma discreta-, favorecendo a atmosfera algo insólita da obra.
Uma obra que, a todo tempo, sabe rir de si mesma, num lindo execício de saber se perder.

 
Mas não se trata aqui de zombar de seu material.

"Charada" é momento do cinema de se abrir a várias possibilidades do espaço, de se permitir entrar em labirintos abstratos e figurativos, mas sempre com um imenso prazer, com uma enorme crença em seu material.


Cada close em Hepburn é uma nova expressão de surpresa extraída de um rosto.

Donen brinca com a luz, no sentido lúdico da palavra. Brinca com o suspense....


O que interessa a ele parece ser o puro prazer do cinema, o sensorialismo- embora, um tanto discreto-, o de se perder nas luzes e sombras.


No fim das contas, é um filme da magia presente em cada cor e deslocamento...O cinema como espetáculo que sabe rir de algumas coisas, mas que nunca abrirá mão de ser fascinante.


Ainda que, para tanto, necessite deslocar as situações/ clichês, abaixar o tom, para reconfigurá-las.

Cinema irônico sim, mas que comparece aqui menos como paródia do que como música e dança em direção.


" O único esforço possível é afastar essa sombra da intenção, da interpretação. E ver o que está no filme.

Veja: até os anos 50, o Alfred Hitchcock, o Howard Hawks não valiam nada. Eram considerados apenas bons diretores de filmes comerciais.


Aí vieram os jovens turcos dos Cahiers du Cinéma e revisaram tudo. Não foi fácil. Lendo os artigos de Truffaut, Rohmer, Godard, Rivette, Douchet, você percebe que eles tiveram até de se opor com certa violência ao André Bazin..., para

impor esses cineastas.


E qual a particularidade dessa operação? É que esses cineastas eram extremamente populares.
Então, os Cahiers são um momento em que o pensamento crítico e o gosto popular se encontram.

Vendo retrospectivamente, nós podemos observar que, sobretudo para o cinema americano, o público tinha um olhar muito mais sofisticado, muito mais aparelhado do que os críticos da época.

Por que isso? Porque os críticos interpretavam. Eles não olhavam.

Essa é a grande lição dos Cahiers....Fizeram para crítica mais ou menos o que Griffith fez para o cinema.

O que aconteceu de lá pra cá, porém, é curioso. O cinema se "elitizou".

Isto é, um público com formação literária é que começou a ditar o gosto e daí, talvez, é que tenha nascido o "filme de arte", no mau sentido da palavra, esses filmes cheios de pretensão, cheios de coisa, mas que, você vai ver, não servem nem para lamber as botas de um Murnau, de um Fritz Lang."

( Inácio Araújo)

Hatari!




"Com todo o respeito, a feminilidade de Rita Hayworth tirando suas luvas em Gilda é apenas uma grosseria, se comparada à feminilidade de um grupo de girafas correndo em campo aberto em Hatari!.
Quando foge do caçador, a girafa mal encosta os pés no chão.


Dos pés ao pescoço, seu corpo contém as ideias de força e leveza, como se o animal tivesse duas naturezas, uma aérea e outra terrestre.

No filme, a girafa encontra correspondência em Dallas (Elsa Martinelli). Olhando com atenção, pode-se perceber que a montagem sugere essa correspondência.
No momento em que a girafa é aprisionada, alternam-se planos dela e de Dallas.

( O desenvolvimento do filme, contudo, diz : A mulher sabe aonde vai com mais precisão do que o homem. Ao menos do que Sean, o homem-rinoceronte, cuja afetividade está envolta numa carcaça tão resistente quanto a do rinoceronte).

Hatari! se propõe, ao primeiro olhar, como filme de caçada.
Vendo-o com mais atenção, as coisas não são tão simples assim.

Entre a razão e a emoção, o ar e a terra- Os exteriores são enquadrados com a linha do horizonte aproximadamente na metade do quadro-, os homens e os animais desenvolve-se a trama.

A palavra trama não deve ser entendida aqui no sentido de enredo. Hatari! não tem enredo.




É a química do encontro de uma série de sequências, ao longo das quais define-se o equilíbrio entre os elementos que compõem o universo.

Essa arte que Hawks desenvolveu desde os anos 1920, antecipa um tipo de modernidade cinematográfica.

Em "Hatari!", esse procedimento chega a uma radicalidade sem precedentes.
À luz do futuro (Antonioni, Nouvelle Vague, etc.), esse passado mostra com mais desenvoltura o tamanho de sua modernidade. Não é por nada que, quanto mais passa o tempo, mais Hatari! se torna atual."

(I. A.)


"...

Ao longo do filme, Feathers espera ouvir justamente isso de Chance: que ele a ama. Compreenderá que o xerife tem maneiras estranhas de dizer essa frase bem simples.


Por outra, o que Hawks faz é justamente demonstrar o quanto essa fra

se é complexa.

No caso de Chance, a principal resistência é mais ou menos a mesma de todos os filmes de Hawks:


Primeiro, a mulher é um acontecimento indesejado na vida do homem, na medida em que desorganiza uma ordem masculina construída em torno do trabalho.



Aqui, entra o aspecto o mais polêmico aspecto de sua filmografia, para muitos construída em torno da masculinidade.


É uma meia-verdade. O que Hawks constrói, plano após plano, é a tensão entre o masculino e o feminino.


Nesse sentido, foi o cineasta que mais profundamente percebeu a "mulher moderna".


A companheira de Chance é, ela também, uma profissional, que se integra à vida do homem, mas não renuncia à dela. Ela o entende e o força a entendê-la."


Notas sobre "Rio Bravo", de Howard Hawks.


( I. Araújo).


Claudia Cardinale em " A Moça com a Valise", de Zurlini